Histórico da Igreja Adventista do Sétimo Dia

Apesar do processo de formação do que seria a Igreja Adventista do Sétimo dia (IASD) iniciar na primeira metade do século XIX, os teóricos dessa denominação buscam suas origens desde a era primitiva do cristianismo, ou seja, no primeiro século d.C. Portanto:
Os adventistas do sétimo dia crêem que suas raízes na história remontam a tempos distantes. Retrocedem não apenas ao movimento milerita das décadas de 1830 e 1840, porém mais longe: a Wesley e aos reavivamentos evangélicos do século 18, aos grandes reformadores protestantes e a grupos dissidentes anteriores, como os lolardos e os valdenses. Remontam à primitiva Igreja Celta da Irlanda e Escócia, à igreja perseguida dos três primeiros séculos depois de Cristo, a Cristo e aos próprios apóstolos (SCHARZ e GREENLEAF, 2009, p.13).
            O protestantismo foi introduzido nos EUA através de um grupo de "puritanos" (protestantes calvinistas), ingleses, que encontraram nas terras do "Novo mundo" o lugar ideal para escapar das perseguições. Ali chegaram de navio, o Mayflower, em 1620, na região de Massachusetts. Este grupo de pessoas ficou conhecido na história como "pais peregrinos", tendo sido fundamentais para a formação de uma nação
predominantemente protestante. (KARNAL, et al, p. 46).
Aqueles pioneiros foram responsáveis pela introjeção, no senso popular, da ideia do "americanismo" pela doutrina do "destino manifesto". A mesma consiste no fato de os norte-americanos acreditarem possuir "[...] uma vocação dada por Deus a eles, um caminho claro de êxito em função de serem um 'povo escolhido'." (Idem; ibidem, 2010).
            Além dos puritanos, outros grupos religiosos chegaram àquele país com objetivo de encontrar refúgio das perseguições, como os quakers. Estes se estabeleceram na colônia da Pensilvânia sob a providência de William Penn, um quaker vindo da Inglaterra. Possuíam ideias bem mais liberais em relação ao conservadorismo dos calvinistas, contra quem enfrentaram forte oposição (Idem, ibidem, p. 53-54).
Descrevendo os quakers, em 1696, o próprio Penn afirmava que Deus ilumina cada homem sobre sua missão. Por isso, os quakers insistem em expressões do tipo: “luz de Cristo dentro de cada homem” e “luz interior”. Com esses princípios, Penn defendia a grande liberdade religiosa, tendo em conta que Deus pode falar de maneiras variadas a cada homem. (Idem; ibidem, p.54).
Os dois séculos seguintes à introdução dos "pais peregrinos" nos EUA seriam notoriamente ricos na diversidade de novos grupos de cunho religioso. Podemos destacar alguns: a Comunidade Alemã da Mulher no deserto (1694); Os Santos dos Últimos Dias, ou os mórmons como melhor se conhece (1830); e o Espiritualismo (1848), dentre outros.
            No final do século XVIII e início do XIX os Wesleys desempenhavam papel preponderante para o crescimento do metodismo na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, países que experimentavam um período de renascimento em relação ao protestantismo (SCHARZ e GREENLEAF, 2009, p. 14).  Esse renascimento ficou conhecido como o “Grande despertar”, introduzindo um novo estilo religioso caracterizado pelo forte apelo às emoções humanas.
Os ministros religiosos iam de povoado em povoado pregando uma religião mais emotiva e carismática. Sermões exaltados, conversões milagrosas, entusiasmo e cantos: as pregações desses pastores atraíam os grupos cansados do formalismo da religião formal (KARNAL, et al, 2010, p. 55).
            Diante desta imensa diversidade religiosa e dos movimentos “revivacionalistas” ocorridos anteriormente, se consolida no século XIX o início de um processo de modernização e formação cultural dos EUA. No início daquele século, após os conflitos contra a Inglaterra e conquista da independência, com o discurso político do terceiro presidente Thomas Jefferson, o país vive a perspectiva de formar um modelo perfeito de república. Tornar as colônias unidas seria um objetivo fundamental para que tal expectativa se consolidasse.
            Nesse contexto, um fazendeiro chamado Guilherme Miller (ou William Miller), pregador da igreja Batista, despertou interesse pelas profecias bíblicas, principalmente do livro de Daniel. Ao se deparar com um versículo do livro de Daniel (Daniel 8:14) esteve curioso para saber o significado da frase. No mesmo está escrito: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado”.
            Ele considerou os 2300 dias ali descritos como referente a 2300 anos. Isso coaduna com uma regra de interpretação teológica na qual um dia representa um ano. A contagem desse tempo, segundo Daniel, deveria iniciar quando fosse dado o decreto para reconstrução de Jerusalém. Quanto ao evento descrito naquele trecho, “[...] ele [Miller] se convenceu de que o santuário a ser purificado no final dos 2300 anos era a igreja, que seria purificada no retorno de seu Senhor.” (SCHARZ e GREENLEAF, 2009, p.31). Em outras palavras, acreditava na volta de Jesus uma segunda vez a esta terra em um período determinado.
            Depois de fazer um estudo minucioso para entender a data correta para o segundo advento de Jesus, teve a conclusão de que ocorreria entre 1843 e 1844. Sentiu-se, portanto, responsável por espalhar a descoberta ao mundo, para que todos se preparassem para a redenção, resultante desse evento. Esta perspectiva traria sentido a esse acontecimento, e as pessoas deveriam ter um preparo espiritual se estivessem desejosas de desfrutar uma vida eterna.
Ao viajar, centenas comentavam sobre sua ‘calma e firmeza de opinião’, seu conhecimento bíblico e histórico, e sua lógica de raciocínio. Esse fazendeiro-pregador não estava interessado em simplesmente assegurar assentimento intelectual para seus cálculos matemáticos; seu maior desejo era ver homens e mulheres, principalmente incrédulos e agnósticos, aceitando a Jesus Cristo como salvador e aguardando com alegria Seu breve regresso (Idem, ibidem, p.32).
            Em 1839 foi quando deu início ao trabalho evangelizador de Miller, conhecido como “movimento milerita”. Teve inicialmente como aliado Josué V. Himes e, aos poucos, quando aumentava o número de seguidores, o movimento recebeu outras forças como Josias Litch. A crença do segundo advento de Cristo, propagada por aquele movimento, recolheu cerca de um milhão de seguidores até 1843, segundo afirma o próprio Miller (SILVA, p. 3). Opositores não faltaram, e estiveram constantemente no intuito de desacreditar e/ou ridicularizar as esperanças dos crentes no advento.
            Posteriormente, a data para o grande acontecimento almejado foi enfim definida por Samuel Snow para o dia 22 de outubro de 1844. Seus argumentos foram convincentes e aceitos pelos adventistas, sendo esta nova informação veiculada nos periódicos do movimento (SCHARZ e GREENLEAF, 2009, p. 48).
            Os dias precedentes a 22 de outubro foram de muita preparação ao ponto de muitos se desligarem das atividades cotidianas.
  As palavras não conseguem captar a urgência das atividades em que se empenharam os crentes do advento nas semanas que precederam 22 de outubro. Colheitas foram deixadas por recolher; batatas não escavadas; lojas foram fechadas; operários demitiram-se de suas funções. Nada era importante exceto o fato de que Cristo viria em alguns dias. Pessoas precisavam ser advertidas; pecados deviam ser confessados, dívidas compensadas, ofensas reparadas (Idem, ibidem, p. 49).
             O grande dia finalmente chegou. Todos passaram o dia alegres na expectativa de ver o rosto daquele cuja presença foi almejada. Mas, suas esperanças foram frustradas ao esperar até o fim do dia e ver que nada de especial aconteceu.  “Então eles foram forçados a encarar o fato de que algo estava errado. Cristo não veio. Eles estavam devastados, inconsoláveis.” (Idem, ibidem). Aquela grande decepção, pós 22 de outubro de 1844, ficou conhecida como o grande “desapontamento”.
            A frustração causou reações distintas entre os desapontados. Ataídes (p.49) cita pelo menos três:
[...] os que abandonaram o movimento, perdendo completamente o estímulo religioso; os que acreditavam terem errado o cálculo da data, embora acreditassem estarem certos quanto ao evento a ocorrer (o retorno de Cristo à terra); por fim, o grupo que resolveu estudar à exaustão o assunto do ponto de vista bíblico e encontrou uma resposta à sua indagação. [...]
            Foram estes, do último grupo citado, que deram “[...] origem ao Movimento Adventista, cujo processo organizacional desenvolveu-se por mais de uma década, solidificando-se com o estabelecimento da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, em 1863.” (CONFEDERAÇÃO DAS UNIÕES BRASILEIRAS DA IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA, 2009, p. 23).
            Atualmente, com presença em quase todo o mundo, os adventistas possuem um conjunto de 28 crenças fundamentais. Podemos destacar algumas: a bíblia como fonte de verdade absoluta; a brevidade do segundo advento de Cristo à terra sem uma data definida; salvação unicamente por Jesus; a obediência aos dez mandamentos descritos em Êxodo capítulo 20; o sábado como dia sagrado; e a existência de um santuário no céu (ASSOCIAÇÃO MINISTERIAL DOS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA, 2008).
            Eles também acreditam que Ellen White – uma das pioneiras do adventismo que também sofreu o desapontamento – foi uma profetisa de Deus dos tempos modernos. Ela deixou uma imensa quantidade de escritos nos quais há textos sobre educação, saúde, alimentação, relacionamentos, histórias, doutrinas, dentre outros assuntos.
Como um movimento religioso a IASD tem estabelecido escolas, instituições médicas, editoras e companhias de alimentos nos cinco continentes, impelida pela consciência profética que lhe é característica desde as suas origens (STENCEL, 2006, p. 34).
            White, sem dúvidas, fundamentou ideologicamente o estabelecimento de importantes instituições pertencentes aos adventistas do sétimo dia, como as editoras, escolas e instituições de ensino superior. Hoje, depois de sua expansão mundial, se vê o importante trabalho social da IASD, inclusive no Brasil.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

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NOTA: Esse texto é uma parte adaptada de minha monografia de conclusão do curso de Pedagogia  na Universidade Regional do Cariri (URCA), intitulada: Educação Adventista: fundamentos e desafios do currículo integral-restaurador (2014).

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